A nova adaptação de Mestres do Universo do diretor Travis Knight e roteiro de Chris Butler em parceria com Aaron e Adam Nee com Dave Callaham, trás a história do príncipe Adam como He-Man, interpretado pelo Nicholas Galitzine, numa jornada de aventura e sobrevivência.
A história é simples e direta, o pequeno Adam, tem a vida revirada durante uma invasão do Skeleto em Eternia. Essa ação coloca o garoto de encontro com a Feiticeira e a Espada do Poder, objeto almejado pelo vilão para torná-lo um Deus. Na sequência, o garoto é enviado à terra onde passa parte da vida tentando retornar a Eternia.
O jovem Adam nunca esqueceu a missão de proteger a espada do poder, mas a perdeu quando foi enviado à terra, fazendo o procurar lá até encontrar, mas quando consegue achar, não saber como fazê-la funcionar como portal, ele permanece preso no mundo terreno.
As cenas seguintes são de loucuras, numa aventura de descoberta e sobrevivência. Adam, apesar de forte precisa se provar diante dos antigos heróis de Etérnia, enquanto também se adapta a nova fase que compõe a transformação dele em He-Man, ao mesmo tempo que tenta manter a vida dos aliados em segurança contra as investidas do Skeleto.
Mestres do Universo é uma grata surpresa pelo entendimento de uma adaptação, no quesito limites de como fazer funcionar um live-action sem se levar a sério, respeitando os personagens e mantendo a identidade visual do universo.
A direção faz boas sequências de ação, mas nada fora da zona de conforto, o humor é o ponto mais alto, sobretudo quando acontece a interação entre heroi e vilão. Houve um entendimento de fazer o trabalho mantendo a fantasia e preservando as características, sem nenhum compromisso com o real, o filme não se leva a sério em nenhum momento.
Outro ponto certeiro é a escolha de elenco, que tem nomes como Camila Mendes, Idris Elba, Alison Brie e James Purefoy, também de roteiro e direção. O roteiro de Chris Butler em parceria brinca o tempo inteiro, fazendo piadas com referências à cultura pop, colocando em cheque alguns temas como a cultura Woke, tudo isso torna a experiência recreativa.
Da mesma forma, a direção de Travis Knight, diverte se ao adicionar cenas de ação no slow motion, enquanto também insere bons efeitos especiais em momentos de perseguição e transformação, a simpatia do diretor deixou o trabalho mais leve e divertido.
Tudo isso culminou em duas performances bem marcadas, a primeira do querido Nicholas Galitzine como He-Man que, parece até estranho escrever mas, ele é o He-Man dessa geração, nasceu para interpretar esse herói, não tem nenhum momento durante o filme que ele seja menos, ele sempre é mais e melhor, desde as cenas de ação, humor e fuga, todo o trabalho foi feito de forma exemplar.
Ele entendeu o sentido e a forma como a direção queria esse trabalho, e entregou exatamente isso, deixou tudo mais leve e palatável a qualquer um, seja um saudosista ou uma pessoa que nunca teve contato com nada da franquia.
A outra ponta é o Skeleton vivido por Jared Leto que, pela primeira vez em anos, conseguiu imprimir um bom papel. Ele é extravagante, é divertido acompanhá-lo, mal a ponto de fazer coisas horríveis, cínico no nível hard, engraçado mesmo quando fala sério ou vai cometer alguma maldade. O antagonista do He-Man é tudo que o filme precisava, não poderia ser diferente, afinal, caso essa ponta se levasse a sério, o longa séria uma completa farofa sem sentido onde um lado entendeu errado a dinâmica do projeto, enquanto o outro se diverte no trabalho.
No fim, essa produção é pontual por entender a proposta e respeitar o universo, mantendo as características e construindo uma sequência divertida, conservando o colorido e o contraste da tecnologia e o misticismo. Tudo isso culmina nesse filme nostálgico e agradável.
Mestres do Universo estreia dia 4 de junho nos cinemas do Brasil, distribuído pela Sony Pictures.
por Daniel Guimarães








