Com um foco profundo em amizade, o novo filme animado original da DreamWorks, ‘A Ilha Esquecida’, traz para os cinemas uma aventura fantasiosa que não se via há alguns anos no mundo das animações. A história conta sobre as melhores amigas Jo e Raissa, que estão em busca da terra mágica Nacali — a ilha que dá nome ao título do longa.
O motivo para elas quererem seguir essa busca vem da avó de Jo, que já visitou a ilha e contou histórias sobre o lugar para as meninas. As cenas desta dinâmica das três personagens são uma das partes mais humanas e lindas do filme, assim como toda a ambientação da cultura e folclore filipino em que o longa é baseado.
Desde os cenários da cidade e da ilha Nacali até o quarto das protagonistas, a animação 3D com um toque de 2D — mesmo estilo do ‘Gato de Botas 2’ — brilha em cores aquareladas, detalhes e fluidez acompanhados de uma direção corajosa e exploradora. As cenas de ação e até as mais paradas ganham uma dinâmica e uma movimentação incríveis. O filme sabe o que é e explora bem o uso da fantasia a seu favor para criar cenas visuais deslumbrantes. Paralelamente, outro estilo de animação presente é o dos animes, que traz consigo cenas cômicas cheias de referências à cultura pop.
Essas referências e o humor mais adolescente são pontos fortes da narrativa, o que torna as personagens principais tão naturais e críveis em sua amizade. A dualidade de Jo e Raissa é a maior qualidade do filme, elas se complementam muito bem e tudo o que envolve a amizade delas deixa melhor ainda essa dinâmica. Contudo, o filme não se restringe somente a apresentar a amizade delas, outros personagens, moradores da ilha esquecida, têm ótimos designs e interações.
No momento em que esses personagens são introduzidos, o filme eleva o conceito de fantasia em outro nível ao apresentar diversas criaturas mágicas interagindo entre si em meio a um cenário rico em elementos fantasiosos conhecidos. Além disso, diversos objetos mágicos e “regras fantasiosas” coexistem em uma harmonia e uma naturalidade impressionantes.
De forma muito bem pensada, a narrativa não segue uma linha temporal comum. Em Nacali, acompanhamos as protagonistas entendendo o que aconteceu com sua memória na noite anterior, enquanto elas conhecem mais uma vez a ilha esquecida com o espectador. É nesse ponto que todas as qualidades do filme brilham, assim como o que pode ser considerado seu maior defeito.
A narrativa é frenética e acelerada. Cenas e interações vêm e vão rápido demais o filme inteiro, junto com uma bela animação que em muitos momentos não se deixa respirar para ser contemplada com calma. Esse tom mais veloz da história pode gerar uma dificuldade de vínculo com acontecimentos, cenários e alguns personagens culminando em uma sensação de “mundo mal aproveitado”, “tem algo faltando” ou “muito rápido”.
Além disso, existe uma exposição da história na fala dos personagens. Problemas são resolvidos porque alguém expôs do nada algo que precisa ser feito e a questão é resolvida rápido, o que gera um toque infantil e é uma solução muito simples para um filme tão bem articulado visualmente como este longa — o que deixa esse detalhe negativo mais aparente.
Apesar disso, ‘A Ilha Esquecida’ não perde a sua beleza. A mensagem final sobre pertencimento coletivo e “mesmo longe estamos juntos sempre” é emocionante e muito bem retratada.
A DreamWorks é conhecida por trabalhar boas duplas com dinâmicas e interações excelentes em seus filmes, como em ‘O Caminho para El Dorado’ (2000), ‘Shrek’ (2001) e ‘Como Treinar o Seu Dragão’ (2010). Agora, esse filme reforça o legado de duplas com Jo e Raissa e ainda representa um salto de qualidade visual do estúdio. Já o salto em relação a contar boas histórias é relativo.
Com um tom cômico infantil, uma animação e direção de tirar o fôlego e uma dose perfeita de amizade profunda e duradoura, ‘A Ilha Esquecida’ já está disponível nos cinemas.
por Milena Pierrot

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