Resident Evil aposta num terror cômico com elementos singulares do jogo

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Dirigido por Zach Cregger, corroterizado com Shay Hotter, e estrelado por Austin Abram, Resident Evil acompanha um entregador de medicamentos, que precisa sobreviver a Raccoon City infestada de monstros, para levar uma encomenda ao hospital da cidade. É quase unânime que nenhuma adaptação dessa franquia conseguiu chegar perto da atmosfera do jogo, mesmo aqueles que ofereceram migalhas como elementos durante a trama de suas obras com a marca.

O diretor Zach Cregger até ensaia fazer algo nessa direção e consegue imprimir na trama elementos fundamentais do universo, como cenas de ação e planos sequências. Ele opta em alguns momentos por fechar o enquadramento sobre o ombro do protagonista, dando a impressão de gameplay. A trilha sonora também segura bem a história nos momentos de terror.

A direção perde a mão quando foca no humor, que tira todo senso de perigo, evidenciando um protagonista bobo e sem nenhuma racionalidade. Já as criaturas são um diferencial no quesito estranhas e perigosas, há um trabalho bom no senso de perigo extremo vindo desses infectados, por conta da brutalidade e propagação do vírus pela cidade.

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Claro que, diante de toda problemática da trama, algumas decisões do protagonista diante da zona de perigo não fazem o mínimo sentido. Isso é, para além da falta de identidade com o material original, ainda tem a escrita ruim do roteiro para o personagem. E isso é muito perigoso, porque mesmo diante de uma performance exemplar do Austin Abram que passeia entre entender a situação, continuar a missão e tomar decisões racionais diante de um estresse extremo.

O filme tem momentos marcantes durante toda a sua trajetória, com um pequeno recorte para as cenas de humor, na qual ele fica visualmente confortável, já que seu personagem não foi escrito para viver um terror de suspense tradicional.

O que fica como recorte de tudo isso é, Resident Evil do Zach Cregger parece ter vergonha do próprio universo, e talvez por isso a escolha de uma adaptação do mundo com elementos do game sem trazer os personagens originais.

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Mesmo com o desgaste da franquia com adaptações questionáveis ao longo dos anos. Ele poderia seguir um caminho menos autoral e mais direcionado ao material original, mas quis inovar colocando suas ideias e distribuindo pequenas migalhas pelo caminho.

O preço disso é incerto ainda, mas diante das falas recentes do diretor sobre a recepção baixa nas sessões testes e as mudanças de última hora na produção, com recortes das cenas de humor, também o distanciamento da história com o game, deixa o caminho incerto para uma continuação. Ainda sim, é importante ressaltar que o filme ainda vai estrear no dia 17 no Brasil, um dia após a entrada no mercado doméstico.

A recepção com base na bilheteria vai ditar se haverá ou não uma continuação, afinal, o orçamento de $ 80 milhões de dólares mais o marketing vai ser a linha do sucesso ou fracasso, e se durante a estreia o desempenho foi ruim, a continuação provavelmente não vai acontecer.

por Daniel Guimarães

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