Cara de Barro é um terror corporal e grotesco

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A DC Studio tem feito bastante esforço quando o assunto é cinema, somente neste ano três filmes foram lançados com diferentes expectativas e recepção do público e crítica, Cara de Barro é de longe o mais discreto possível dentro dessa linha de lançamento.

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A direção do filme é assinada por James Watkins com roteiro de Mike Flanagan em parceria com Hossein Amini, tendo Tom Rhys Harries interpretando Matt Hagen, o icônico vilão da galeria do Batman, o Cara de Barro.

Partido do ponto inicial, o filme entra numa guinada bastante incomum, o ritmo dele vai avançando sem medo até estabilizar o momento com calmaria entre a esperança e o sentimento de injustiça.

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A história acompanha o ator em ascensão Matt Hage, caindo numa armadilha ao se envolver numa festa com a namorada de um mafioso de Gotham City.

Ao ser pego pelo vilão, seu rosto é cortado o deixando desfigurado, diante do crime, ele decide levar o ocorrido à justiça que não aceita a acusação e ainda coloca em cheque toda a credibilidade do ator.

Digamos que a busca pelo mínimo de dignidade para ter um rosto atraente novamente o faz ir em busca de cirurgias, mas nenhuma surtiu efeito esperado. Dentro dessa busca ele encontra uma pesquisa experimental.

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E aqui as coisas começam a andar novamente para algo mais corporal, seja pelos efeitos do medicamento que dá resultados a curto prazo, ou pelo simples fato de tudo sair do controle ao primeiro sinal de efeito colateral.

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A maquiagem e os efeitos especiais são de suma importância, para garantir toda essa imersão na problemática criada a partir desse processo de descontrole do corpo junto da entrada do personagem na loucura.

A transformação de Matt Hagen não representa apenas a deterioração do corpo, também o aprofundamento de suas feridas emocionais. Quanto mais ele se aproxima da aparência que deseja recuperar, mais se distancia da possibilidade de reconstruir a própria vida.

O poder que inicialmente surge como uma solução acaba alimentando seu ressentimento e conduzindo-o a um caminho sem retorno. Os momentos de maior apelo ao terror corporal são justamente nessas cenas de pele sendo derretida com desespero sem controle.

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Esse drama só perde efeito quando entra em cena a brilhante doutora Cathylin, que o trata como apoio emocional para ajudá-lo a controlar as emoções.

E no quesito, boas atuações. Maomi Ackie como doutora Catlyn Corr é fundamental para o desenvolvimento do Cara de Barro, seja da figura vilanesca crescente alimentada pelo ódio, ou para trazê-lo à realidade. Porque entende a situação e vai até o fim mesmo quando o momento impõe colocar um fim em tudo.

Também nesse mesmo sentido, o ator Max Minghella como John Barrelli, o policial dedicado que monta o quebra cabeça na sequência de mortes dos desafetos do protagonista da história.

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O que fica explícito nessa linha é a sincronização dos atores em ressonância com o roteiro, tudo encaixa de forma orgânica sem nenhuma força.

Da mesma forma, a imponente Gotham City, a cidade torna-se parte da trama de maneira sombria, caótica e fria. Parece haver um consenso nessa reimaginação do local porque essa também parece ser a mesma de The Batman do diretor Matt Reeves, a do Coringa do Todd Phillips, até mesmo a do O Pinguim do showrunner Lauren Lefranc, série da HBO.

Mas, mesmo com tanta semelhança entre essas obras imaginadas na grandiosa Gotham crua e fria, ainda sim, é possível apontar dualidades que tornam essa obra diferente pela escolha de ritmo e consequência.

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Cara de Barro se destaca pela linha frenética dos primeiros trinta minutos, somente após toda entrega da problemática e solução momentânea, é que o grande destaque sai da zona de conforto e começa a entrar na brutalidade de cenas gore atraente da vingança.

A personalidade do filme fica justamente nesse ponto, ao confrontar e traumas e resolver as desavenças. Essas mortes cruas e agonizantes pela maneira que ele faz isso é o ponto alto.

E apesar de tudo, o caminho dele não é de redenção, na verdade, tá mais para um aprofundamento em dor e melancolia. É triste e ao mesmo tempo revoltante como o roteiro leva ele por um caminho impossível de voltar.

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Não tem romantização do vilão, não é também uma história agradável nem tenta fazê-lo um injustiçado. Na verdade, o grande acerto é mostrar o quanto os fatos o afetaram e o quanto o poder lhe deu vigor para buscar vingança.

É um filme bem dramático com uma pegada de terror corporal, sem filtro ou qualquer outro aparato para trazer um personagem com traumas se transformando num vilão implacável.
Cara de Barro entrou em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22.

por Daniel Guimarães

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