Os romances de Jane Austen são os clássicos entre o gênero da literatura mundial, por apresentar as mulheres de maneira distinta da qual a sociedade da época exigia, capta uma essência particular e progressiva para impulsionar o anseio em buscar os próprios desejos. Ainda mais em um tempo que as mulheres mal podiam ler, e seu único objetivo era casar, procriar e cuidar do marido e dos filhos. Mas, a autora britânica embasa em suas obras a espontaneidade de romances persuasivos, que se conectam com entre as mulheres.
Tal como seu primeiro romance lançado, Razão e Sensibilidade (1811), em a própria escritora usou o pseudônimo “The Lady” para publicá-lo, já que as mulheres não podiam usar os próprios nomes para estampar as capas dos livros, e tampouco podiam ler e denotar sobre os pensamentos dos personagens sem render a desobediência ao marido em um caos social.
O livro de Jane Austen traz em sua trama a história da família Dashwood, mas específica das irmãs Elinor e Marianne. Após a morte precoce do pai, Henry Dashwood, se vê obrigadas a buscarem um casamento para poder manter a situação econômica da família, já que, após o falecimento do patriarca, a herança como destino da época ficou para o meio-irmão mais velho das garotas. Enquanto elas, a irmã mais nova Margaret e a mãe precisavam deixar até mesmo a residência em Norland Park, se mudando para um pequeno chalé em Barton Park, aonde elas conhecem não apenas as dificuldades em manter a casa, mas o amor em sua vida. Todavia, há uma diferença, entre as irmãs mais velhas, enquanto Elinor é sensata e pragmática, Marianne é romântica a acredita no amor romântico, aquele que vale mais dos dotes e heranças, mas sim troca de olhares e toques sensíveis.
Entre amores e negócios, Sr. Edward Ferrars, primo da cunhada das garotas faz o coração de Elinor balançar, e ele também se sensibiliza por ela, mas a jovem busca encontrar o conforto de sua mãe e irmãs, e decide casar pela razão. Já Marianne, sentimental e muito teimosa, acredita que o dinheiro é apenas um ponto para o relacionamento, pois o amor é o que mais importa para se encontrar. Tanto que em um pequeno acidente nas colinas circundantes de Barton Valley, o jovem John Willoughby a resgata, e um affair acontece entre eles.
Mas, o que estava tudo perfeito, acaba indo por água a baixo, quando mentiras e desilusões acontecem em uma passagem das irmãs por Londres com a Sra. Jennings, sogra do Sr. Middleton, vizinho do chalé em Barton Park. Ao descobrir que ele não era o gentil e cavalheiro que Marianne pensava, e seu coração cai em pedaços, enquanto sua irmã que achava estava bem com Sr. Ferrars, descobre uma traição enganosa, de um noivado inesperado de seu pretendente. Que ao final, não passava de um mal entendido, e a proposta não era para Edward, e sim com seu irmão Robert. Enquanto Marianne se aproximava um pouco mais daquele que antes o ignorava, o Coronel Brandon, um homem discreto e paciente, que não força relações com a jovem, mas transmite afeto e cuidado a família, colocando a felicidade da garota em primeiro lugar.
A trama já ganhou diferentes adaptações, tanto para o teatro, quadrinhos e cinema, uma das produções mais exitosas, foi em 1995, dirigido por Ang Lee e protagonizado pelas atrizes Kate Winslet e Emma Thompson, que conquistou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por sua interação de Razao e Sensibilidade, do qual muitos leitores consideram uma das maiores adaptações cinematográficas referente da obra.
Três décadas depois, a obra de Jane Austen ganha uma nova adaptação, com direção de Georgia Oakley, e com Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles interpretando as irmãs Elinor e Marianne, em uma produção perspicaz e renovada, mas sem perder a essência singular da original. Uma produção que sai da bolha de Hollywood em desenvolver fórmulas de sucesso apenas para vender ingressos motivados pela nostalgia, mas sim a diretora traz um drama loquaz, que envolve o público através de uma narrativa envolvente, que evidência a essência dos protagonistas. Com suas cores sóbrias, e visual enraizado, conecta a relação das irmãs, sob o clima úmido e soturno do litoral britânico.
O longa de Oakley mostra o drama envolto na narrativa, mas traz um humor sagaz e inusitado, construindo a própria atmosfera, que transita em um ritmo coeso e fluido a produção, captando a essência particular da diretora, dando-o um ritmo menos ágil, e mais contemplativo, apresentando com plena veracidade as emoções a cada cena, em conexão profunda com as paisagens atribuídas ao momento preciso.
Entre os protagonistas, as atrizes trouxeram às personagens as personalidades mais singulares, dando o seu ponto de visto. Enquanto Daisy Edgar-Jones mostrava centrada e madura, com Elinor, mostrando sua sensibilidade em controlar suas emoções sem esforço deliberado, apenas seguindo o roteiro e mantendo projeção em construir a própria personagem. Já Esmé Creed-Miles, traz a sua Marianne uma personagem intensa e até um pouco ríspida em relação aos seus sentimentos, tornando-a um pouco obstinada demais, teimosa e até um pouco arrogante. Ainda assim, capta a essência da personagem de Jane Austen, mas em uma versão moderna e empoderada, mais convicta de suas emoções.
Em suma, a nova adaptação de Razão e Sensibilidade, apresenta conceitos narrativos estratégicos e particulares. Em sua produção que mostra o âmago de uma obra loquaz, diante a relação de duas irmãs. Enquanto uma queria viver suas aventuras amorosas, a outra apenas vivia para que suas irmãs mais novas tivessem condições de realizar seus sonhos mais ímpetos, em um drama veraz que explora o amor romântico e a precisão da irmandade entre as mulheres, registrado de forma enigmática.
O drama romântico ainda traz Caitriona Balfe, Frank Dillane, George MacKay, Fiona Shaw, Herbert Nordrum, Bodhi Rae Breathnach, Stacy Martin e Tom Brooke no elenco, com roteiro de Diana Reid e produção de Focus Features, Working Title Films, November Pictures e Kiddo Films. O filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), distribuído pela Universal Pictures.
por Patrícia Visconti

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