[Cantinho Literário] Ana Cristina Cesar é homenageada na Flip 2016

A escritora é a segunda mulher a ser homenageada na feira, após Clarice Lispector em 2005.

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Ana Cristina Cesar

A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), teve como homenageada nessa edição a poetisa Ana Cristina Cesar (1952 – 1983), percussora do movimento Poesia Marginal. A escritora influenciou toda uma geração, principalmente, na poesia brasileira contemporânea.  E se mostra viva, mesmo após cometer suicídio aos 31 anos.

Ana Cristina morreu em 1983, pouco antes de publicar seu primeiro livro, “A teus pés”, quando cometeu suicídio, desencadeado por um quadro de depressão. Na obra continha textos ainda não publicados até o momento, além de um poema inédito, que dá nome a obra. Anteriormente, ela já havia publicado seus escritos em livros artesanais e em antologias (categorização de um conjunto de obras).

Durante a Ditadura militar Ana C., participou do movimento Poesia Marginal, ou Mimeográfo, cuja produção era voltada para meios alternativos de circulação, devido a censura imposta pelos militares.

Ainda na infância, antes de ser alfabetizada, ditava oralmente  poemas para a mãe passa-los para o papel. Aos sete anos, Ana Cristina publica pela primeira vez no jornal Tribuna da Imprensa, alguns de seus poemas.

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Entre livros , lentes e corpo despido. Foto: Kátia Muricy.

Lançamentos de livros com obras de Ana Cristina

Apesar da morte precoce, Ana Cristina deixou uma obra vasta e também intensa. A companhia da letra relança agora, o livro Poética, incluindo os escritos de: Cenas de abrilCorrespondência completaLuvas de pelicaA teus pésInéditos e dispersosalém de artigos e textos soltos.

Um dos destaques da Flip 2016 foi o lançamento do livro Inconfissões, fotobiografia de Ana C. Organizado pelo poeta Eucanaã Ferraz, e publicado pelo Instituto Moreira Sales. A ordem cronológica da obra é invertida, começando com as últimas fotos da poetisa, e regressa até a sua infância. Segundo Eucannã, a ideia é mostrar: no final ninguém morre.

 

Lista de lançamentos na Flip 2016:

MCMáfia, de Misha Glenny

Retrato de um viciado quando jovem , de Bill Clegg

Vozes de Tchernóbil, de Svetlana Aleksiévitch

Rostos na multidão, de Valeria Luiselli

Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi

Vento sul, de Vilma Arêas

Poética, de Ana Cristina Cesar

Profissão Repórter 10 anos, de  Caco Barcellos

A Guerra Não Tem Rosco De Mulher, de Svetlana Aleksiévitch

Cinema e Psicanálise (Vol.5), de Ana Lucilia Rodrigues, Christian Ingo Lens Dunker

Visibilidade da mulher na literatura

No livro “A teus pés”, a escritora questiona frequentemente o papel da mulher dentro de uma sociedade conservadora. Como se lê no poema “A sete chaves”:

A sete chaves

“Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha
grande história passional, que guardei a sete chaves,
e meu coração bate incompassado entre gaufrettes.
Conta mais essa história, me aconselhas como um
marechal do ar fazendo alegoria. Estou tocada pelo
fogo. Mais um roman à clé?
Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher
moderna.
Nem te conheço.
Então:
É daqui que eu tiro versos, desta festa – com
arbítrio silencioso e origem que não confesso –
como quem apaga seus pecados de seda, seus três
monumentos pátrios, e passa o ponto e as luvas.”

A Flip ineditamente abriu o evento com um sarau, onde nomes como o da poetisa Mel Duarte declamaram versos. Veja aqui a participação de Mel Duarte na Flip | Entrevista com Mel para OBC.

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Reprodução do acervo Ana Cristina Cesar/MS.

Por: Gabriela Alves

[Cantinho Literário] Palestras, Música e Poesia marcaram o 5º Salão do Livro em Guarulhos

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Entre os dias 16 e 25 de maio aconteceu no Teatro Adamastor em Guarulhos, o 5º Salão do Livro. Promovido pela Secretaria de Educação da Cidade, este ano o tema foi “Cidade Amiga da Leitura” e palestras, cinema, poesia, música e teatro compuseram uma programação diversificada para todos os públicos.  Continuar lendo “[Cantinho Literário] Palestras, Música e Poesia marcaram o 5º Salão do Livro em Guarulhos”

[CANTINHO LITERÁRIO] Poetas Ambulantes espalham poesia pelos transportes públicos da cidade

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Os poetas acreditam que faz parte da natureza do artista ser um provocador.

Por volta das 19h do dia 11, uma sexta feira, um grupo de pessoas se reunia próximo às catracas da Estação Butantã, linha 4 – Amarela, carregando livros, poesia e vontade de difundir arte para quem estivesse por ali. São os Poetas Ambulantes iniciando mais uma intervenção urbana. O coletivo existe desde setembro de 2012, quando a primeira saída foi realizada. Ele surgiu a partir da iniciativa de duas amigas, Luz Ribeiro e Carol Peixoto, frequentadoras de saraus, que sentiram a necessidade de levar poesia para outros cantos da cidade.

Inspirados nos vendedores ambulantes, presentes diariamente nos transportes públicos, o coletivo percorre diferentes linhas de trens, ônibus e metrôs, declamando poesias e entregando livros aos passageiros que aceitam participar da intervenção.

Mas, antes de iniciar a ação, o coletivo se reúne em círculo para realizar uma espécie de oração e relembrar as principais instruções da intervenção. Ao final dessa reunião, os participantes entoam a frase lema do coletivo: “Uma vez Poetas Ambulantes e nada será como antes”. 

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Passageira ganha livro após declamar poesia.

O coletivo em si é composto por seis integrantes fixos, responsáveis por organizar as saídas, mas, como elas são abertas ao público, qualquer um pode participar. “Quanto mais gente puder vir e somar nesses dias, melhor”, explica a integrante Mel Duarte, 27.

Os encontros acontecem uma vez ao mês e as datas são divulgadas através das redes sociais do grupo. Embora alguns passageiros ironizem a ação, a maioria se agrada com a intervenção. “Por serem apresentações abertas, as pessoas se sentem muito à vontade”, diz o professor e também integrante do coletivo, Jefferson Santana, 27.

A respeito da crise política, social e econômica que o país enfrenta, eles reforçam a importância da poesia como forma de expressão. “Precisamos estar o tempo todo em debate e utilizar as palavras ao nosso favor, porque as pessoas têm muita dificuldade de encará-las. Elas sabem apontar, mas não sabem argumentar. A poesia tem um espaço muito positivo para ajudar nisso”, explica Mel.

Assuntos que estão em pauta no cotidiano, como redução da maioridade penal, foram temas de algumas saídas do coletivo para que os passageiros sejam provocados a refletir.  “A poesia é uma arma de combate”, finaliza Jefferson.

Acompanhe o coletivo pelas redes sociais:

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Texto e fotos por: Fernanda Pereira

[CANTINHO LITERÁRIO] Cooperifa comemora 15 anos de poesia

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Foto: Divulgação

Fundada pelo escritor Sergio Vaz, o projeto leva poesia aos moradores da periferia da zona sul de São Paulo.

Aconteceu no ultimo domingo (13) o sarau Cooperifa em comemoração aos 15 anos de fundação. A iniciativa foi criada pelo mineiro de coração paulista Sergio Vaz, 51, o projeto busca levar poesia marginal aos moradores de periferia, representado o cotidiano desse grupo.

No 15° ano de sarau teve como convidado Benjamin Taubkin, combinando música e poesia com a apresentação de “PIANO QUE CONVERSA”, acompanhado pelos percursionistas Guilherme Kastrup e Pedro Ito (Sons da Sobrevivência) e os guitarristas Manoel e Felipe Cordeiro, pai e filho, representantes do ritmo guitarrada popular do estado do Pará.

Os saraus acontecem no bar do Zé Batidão, onde o autor trabalhou dos 12 aos 22 com o pai. O lugar é descontraído, apesar da temática pesada de algumas poesias, colabora para a criação artística. Hoje, o lugar abriga diversos poetas, atores e músicos que encontram na Cooperifa espaço tanto para disseminar ideias, quanto reivindicações através da literatura.

O movimento cultural tem como objetivo dar voz a realidade enfrentada pelos moradores dos bairros desassistidos “A poesia é isso, a pessoa se expressa politicamente, mas também com o coração, tem um amor naquilo e tem o ideal. O sarau é politica e resistência ao mesmo tempo”, diz Pâmela Araújo, 27, participante do sarau.

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Imagem: Divulgação

Mais informações sobre a Cooperifa e fundador da companhia Sergio Vaz

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Por Gabriela Alves

[Caixa de Som] Canal 13: Poesia e harmonia sintonizados no cotidiano

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Eles são paulistas de Cruzeiro e Lorena, e fazem um rock alternativo com canções autorais e muita poesia em suas melodias.

A banda Canal 13 é formada pelos músicos e amigos, Thiago Gomes (Guitarra e Vocal), João Felipe (Baixo), Yann Monteiro (Guitarra) e Ralf Zeq (Bateria), que juntos formam uma harmonia ímpar e autêntica, tendo suas influências singulares, mas mostrando sua verdadeira essência musical ao público que curte novidade e qualidade em sua playlist.

 

Suas letras falam do cotidiano das pessoas, e como elas se interagem com o mundo ao seu redor, contando suas dores, anseios, propósito, decepções e bem ventura. Trazendo a música rock pop algo novo e sútil, diferenciando do que é transmitido na grande mídia, focando em sentimentos, música e poesia, e não apenas fantasia para vender sua marca.

5fd197_df8ad48df5c74c00a0177581a1524b08.jpg_srb_p_600_583_75_22_0.50_1.20_0Com melodias calmas, mesclando com riffs e acordes resistentes, dando um contraste ao som dos garotos, assim como em nossa vida, onde hoje está tudo bem e amanhã há uma reviravolta nela, retratando a aproximação da canção com o ouvinte.

Atualmente a banda gravou um demo acústico, os meninos estão trabalhando para em breve lançar seu trabalho autoral e buscar vosso lugar ao sol, como eles mesmo dizem na descrição da biografia do grupo.

As influências da Canal 13 passam de Coldplay, Radiohead, Snow Patrol, Emery, Esteban a Los Hermanos, denotando-se uma ecleticidade a harmonia em conjunto, somando com suas afeições e admirações pessoais de suas vidas.

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Confira abaixo uma apresentação ao vivo dos garotos:

Para conhecer mais sobre a Canal 13, acesse:
Site | Facebook | SoundCloud

Por: Patrícia Visconti