Lourenço Cazarré apresenta novos contos de fantasia e realismo no livro “Enfeitiçados Todos Nós”

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Após três décadas, os contos reais e fantasiosos de Lourenço Cazarré estão de volta às livrarias de todo o país, mas com contos novos publicados na década de 1980 em jornais e revistas da época.

O livro “Enfeitiçados Todos Nós” traz uma bela mostra do trabalho do jornalista, em uma mostra humana e verídica de seus contos e personagens, o autor interpreta histórias reais, com linguagens singulares de cada individuo.

Enfeiti_adosUma história que não há lugar para risos e alegrias, nem o amor puro e sereno e a luz branda e adentra pela janela de manhã. Num mundo silencioso e repleto de reflexões, uma palpitação intensa em um universo angustiante e perturbador, somado a loucura e agonia luta de um homem mesquinho e desvairado na aflição delirante pelo sexo.

Em suas temáticas e formalidades ímpares, traz um mando fascinante e um interesse sedutor na prosa heráldica, num discurso sério, em forma de controlar e manifestar problemas elementares similar as forças primárias, no anseio de obter um  domínio da realidade traumática vital e do libido.

Cazarré traz influências de grandes autores do realismo mágico e fantástico para seus contos, como nomes que motivaram diversos escritores nacionais na década de 1970 e 80. Dentre esses estão os argentinos Julio Cortázar (1914-1984) e Jorge Luis Borges (1899-1986), o cubano Alejo Carpentier (1904-1980), a chilena Isabel Allende, o mexicano Juan Rulfo (1917-1986), os uruguaios Mario Benedetti (1920-2009) e Juan Carlos Onetti (1909-1994) e os brasileiros Murilo Rubião (1916-1991) e José J. Veiga (1915-1999). Como disse o crítico Antonio Candi (1918-2017) em Formação da Literatura Brasileira (1981), que se distingue de coincidência ou plágio, mas envolve “assimilação recíproca“. Contos que visam a realidade, mas com uma pitada de magia e fantasia, transformando fatos em ficções reais e utópicas, algo bem referente às obras de Cazarré.

596e017dcc50b_loureno_cazarr_defaultLourenço Cazarré é jornalista, gaúcho de Pelotas, formou-se pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), em 1975. Trabalhou como repórter em diversas redações, como Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde e o jornal O Estado. Têm mais de 40 obras publicadas, a maior parte deles voltada ao público infanto-juvenil.

Cazarré ganhou notoriedade a cena literária após ganhar a 1ª Bienal Nestlé de Literatura Brasileira, em 1982, com o romance “O Calei to nem aí doscópio e a ampulheta“, recebendo após deste outros vinte prêmios literários, um destes, o 41º Prêmio Jabuti, em 1998, com a obra “Nadando contra a morte“.

Um romancista e contista que traz suas publicações uma visão realista, mas com uns toques fantasiosos e muita magia, sendo referência na literatura infanto-juvenil, em diversos livros lançados. Um escritor que escreve livro para fugir da chatice, trazendo histórias movimentadas, divertidas e algumas tristes, mas com o intuito de prender a atenção inconstante dos jovens leitores, aproximando-os dos contos realistas e fantasistas de Cazarré.

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Foto por Emília Silberstein via Lupa

Na verdade, escrevo livros que talvez fossem apreciados por aquele garoto que fui aos doze, treze anos, o garoto que devorou impiedosamente todos os livros da seção infantil da Biblioteca Pública de Pelotas. Tento escrever histórias movimentadas, às vezes divertidas, às vezes tristes, que segurem a atenção volátil dos jovens leitores. Ou seja, tento desesperadamente fugir da chatice“, finaliza o jornalista em sua própria autobiografia no site do Grupo Autêntica.

SINOPSE

No mundo de Enfeitiçados todos nós, não há lugar para o riso, para a alegria esfuziante, para o amor sereno, para a luz clara da manhã, para o sol luminoso do meio-dia, para a noite estrelada do Cruzeiro do Sul.
É um mundo silente, de reflexão, sem vozes festivas, mas de intensa palpitação, universo lancinante, perturbador, povoado pela loucura, pela agônica luta do homem, amesquinhado pela razão desvairada e atormentado pelo sexo.

FICHA TÉCNICA:

ENFEITIÇADOS TODOS NÓS
Autor: Lourenço Cazarré
Ilustrador: Enio Squeff
Idioma: Português
N. de Páginas: 120
Ano de edição: 2018
Edição: 1ª
Editora: Insular

Por Patrícia Visconti

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