O Doutrinador: O anti-herói brasileiro que busca pelos seus direitos

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Em uma sociedade onde líderes tiram vantagens dos bens públicos, tomando descaradamente da população para o bem pessoal, sem dúvida gera uma desigualdade extrema e uma raiva exacerbada contra os direitos da população e os deveres dos servidores públicos não cumpridos.

O Doutrinador é um dos primeiros filmes nacional baseado numa história em quadrinho brasileira produzida pelo quadrinista e roteirista, Luciano Cunha. E trata-se justamente sobre essa carência do Estado perante aos direitos do povo, levando ao extremo de ir às ruas para reivindicar e mostrar que a cidade, o país e o Estado é de todos, e não apenas de quem governa ou de quem tem dinheiro, que se acham donos de tudo e só querem receber os “louros da democracia”.

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E por esses direitos o policial Miguel (Kiko Pissolato), após sofrer uma perdas drástica e fatal, por um atendimento medíocre em um hospital público, cansa de ver os políticos gozando com o dinheiro da população, enquanto nós o sustentamos e contamos centavinhos para privatizar serviços básicos, que o Estado deveria nos ofertar, ou ainda pior, esperar por um lugar numa fila interminável no Sistema Único de Saúde (SUS).

Já da para entender que o grande carma desta trama, é o investimento na saúde.

Após o governador desviar milhões de verba destinada a tal área, a população sai às ruas para confrontar contra esses males que os afetam diretamente, e o policial Miguel, frustrado com o atendimento precário e o descaso que sofreu ao perder sua filha, que tinha apenas cinco anos, ele adentra na manifestação, quebra barricadas, seja de grades ou humanas e invade o prédio do Governo do Estado, e ataca o governador, que após quase morrer de tanto apanhar, ele acaba “assumindo a culpa”, mas ninguém sabe quem é esse justiceiro, já que o policial usa uma máscara de gás que cobre todo seu rosto e uma jaqueta fechada até o pescoço, tanto que o chamam de Doutrinador. E desde então, ele começa investigar e fazer justiça com as próprias mãos, contra os que estão por trás desses esquemas maléficos à sociedade.

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Mas, o que ele não esperava, é que a vendedora e estudante Nina (Tainá Medina), gravou um vídeo no seu celular que mostra quem é esse mascarado que “assombra” e “protege” a capital. E então, para não cair em mãos erradas, eles entram num acordo e começam uma parceria para ingressar nesses planos obscuros da política brasileira, correndo riscos e até arriscando as vidas de pessoas próximas, mas a determinação em desmascarar e eliminar os malfeitores vale mais do que qualquer coisa.

Assassinatos, esquemas de corrupção postos a mostra, pirâmides venais, dentre outros debuxos contra a nação, enquanto as ruas gritam por humanidade e compaixão, suplicando por seus direitos.

Mas, eles só sabem dar um jeitinho para se safar da culpa, porém ninguém pensa no outro e nas consequências que esses danos causam no coletivo, formando uma bola de neve que se mistura na população, adentrando no DNA de cada indivíduo e contaminando a todos,  fazendo com que cada degrau atingindo seja uma facilidade para derrubar e mostrar autoridade aos que estão embaixo, externando assim o quão o dinheiro e o poder valem mais do que a vergonha de tirar da nação para sua própria menção.

É disso que O Doutrinador busca exprimir, sendo uma das primeiras obras de quadrinhos nacionais interpretadas nas telonas e um abre-alas de muitas outras que virão, trazendo a essência “made in Brazil”, com encargos e dificuldades peculiares do nosso país, com uma corrupção enraizada que atrapalha toda e qualquer âmago benéfico que queira ser implantado por aqui, sendo combatido o mal com vingança, e o ódio com mágoa.

Um longa que mostra a realidade mesmo que ficcional, já que as referências políticas são intermináveis e a maldade e a vingança, o ápice da trama.

Em suma, essa é uma película ímpar e intrínseca, que traz descaradamente quão essas raízes corrompida estão entrelaçadas nas veias de qualquer cidadão, principalmente para defender o próprio ego, ou nós não seríamos conhecidos pelo reis do “jeitinho brasileiro”.

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O Doutrinador é dirigido por Gustavo Bonafé (“Legalize Já” e “Chocante”) e Fabio Mendonça (“A Noite da Virada”). Enquanto os roteiros são diferentes para cinema e TV, mas complementares, sendo assinados por Mirna Nogueira, LG Bayão, Guilherme Siman, Rodrigo Lages, Gabriel Wainer, além do próprio Luciano Cunha e Denis Nielsen.

A produção do filme fica por conta da Paris Entretenimento e a distribuição da Downtown Filmes, que chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira (1º) e em 2019, o longa o personagem ganhará um série que será exibida pelo canal Space.

Por Patrícia Visconti

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