A Mente do Assassino: Aaron Hernandez – A nova série documental da Netflix, é viciante e incômoda na medida certa

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O que leva uma super estrela do esporte, com um contrato de 40 milhões de dólares e uma carreira brilhante pela frente se tornar um assassino? É justamente essa pergunta que a Netflix instiga em seus assinantes em “A Mente do Assassino: Aaron Hernandez”. A série documental acompanha o caso e o julgamento do jovem astro do time de futebol americano New England Patriots, pelo assassinato de Odin Lloyd, em 2013.

Mais do que contar a história do caso, a série se foca na vida de Hernandez. Em seus três episódios, somos apresentados a uma cronologia que segue de forma não linear, desde a infância até o julgamento do atleta. Em cada parte da obra vemos o suposto sonho americano ruir.

O conto de fadas do jovem que através do esporte preferido dos EUA muda seu destino e daqueles que o cercam conquistando uma vida perfeita some quando somos apresentados aos detalhes invisíveis da vida do jogador. Do pai abusivo, a adolescência promissora e problemática, o ingresso na faculdade e o sucesso no esporte, o contrato milionário e, por fim, ao fim trágico, tudo está ali, jogado na tela de forma tão crua, que o espectador é invadido por um misto de repulsa e atração. Ao mesmo tempo que nos choca, a série consegue nos viciar.

Outro destaque é como a série tenta não fazer julgamentos ou pintar o jogador dos Patriots como um monstro cruel. Ao invés disso, os produtores tentam discutir o que levou ao crime, sem contudo, dar uma resposta concreta. Usando de imagens do julgamento, reportagens sobre o caso, depoimentos de amigos e fãs, além de pessoas próximas a vítima, Odin Lloyd, a todo momento a questão do porquê permeia os episódios. Talvez este seja o segredo do incômodo que a série nos causa. O fato de alguém que, supostamente, tem tudo poder se tornar um assassino é perturbador.

Todos os traumas vividos por Hernandez parecem contribuir para seu fim. A relação conturbada com o pai violento, o distanciamento com a mãe, a suposta homossexualidade reprimida em um ambiente absurdamente homofóbico, a própria violência inerente do futebol americano que gerou sérias contusões em seu cérebro, tudo isso gera uma receita para o caos. A falta de uma relação clara de causa efeito é assustadora e nos leva nos questionar o que gera um assassino, e pior, com quantos assassinos cruzamos todos os dias.

A Mente de um Assassino: Aaron Hernandez é viciante e incomoda a medida em que nos faz pensar. Não nega em nenhum momento nega a culpa do assassino e a necessidade de punição. Mas também expõe um modelo cruel, preconceituoso e injusto, que se foca mais nos lucros do que na saúde e no bem estar dos atletas. Será que tudo o que o aconteceu não poderia ser evitado? Talvez a síntese da série esteja justamente em uma das frases finais da obra. “Se alguém tivesse tornado o futebol menos importante e a vida e o comportamento de Aaron mais importantes, os resultados poderiam ter sido diferentes”. Infelizmente essa nunca deixará de ser apenas uma teoria.

A série já está disponível na Netflix, desde o dia 15 de janeiro deste ano de 2020, em um drama perturbador por muitos que traz depoimentos de pessoas próximas aos envolvidos no crime e ainda conta detalhes sobre a morte do jogador. Esse é um conteúdo original do streaming da Netflix.

 

Por Rafael De Paula

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