A arte como arma necessária na expressão cultural e política da sociedade

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O último fim de semana, aconteceu a primeira edição do Quarentena Con, que foi uma fusão de ideias do quadrinista Raphael Pinheiro e a editora Guará, que tem com propósito manter as atividades e propagação artística e cultura do universo quadrinístico no Brasil, mostra que apesar do hiato momentâneo da cena cultural, os artistas estão produzindo com o ânsia em apresentar seus novos projetos ao público, trazendo o debate de assuntos significativos para o desenvolvimento cultural nacional.

Entre esses painéis um que trouxe muita reflexão e discussão, em “Quadrinhos Anti-Fascistas“, ministrado pela pesquisadora e editora, Dani Marino, com a participação dos quadrinistas Rafael Campos, Denis Mello e o editor, Gabriel Wainer, que trouxe uma importância atenção a esse tema, ainda mais da situação atual do Brasil e do mundo, em que uma onda fascista têm de dominar a nação, e muitos movimentos visam ir contra essa corrente retrógrada e nada evolutiva para o sistema democrático no país.

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Foram um pouco mais de uma hora com perguntas, discussões e reflexões inerentes e consideráveis sobre política e cultura, dita abertamente e expressada magistralmente pelos artistas, comandados pela Dani, que apesar de alguns momentos trazer sua opinião a campo, se posicionou de forma neutra para que a ideia fosse levada à visão ímpar de cada espectador.

A mesa foi selecionada de forma muito relevante para a discussão, já que todos os presentes têm de alguma maneira uma posição bem árdua sobre política em suas publicações, mostrando que a imparcialidade e a arte não combinam, que se posicionar diante de alguma situação é saudável e própria do mundo em que vivemos, trazendo ao público a sapiência cogitativa em gostar ou não de determinada obra, dando visões amplas e expandindo as ideias perante a uma época em que tudo já vem enlatado e pronto para ser consumido, sem dar a oportunidade para expandir e contestar distintos assuntos, em uma evasão controvérsia para pensar sobre diretrizes que seu pensamento irá levar.

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Além disso, foi debatido sobre consciência do pensamento, em que oposições irônicas e contraditórias são agregadas aos debates, para impôr autoridade e superioridade, com ar de deboche diante as opiniões contrárias, criando um cenário paralelo e um embate social e cultural, gerando divisão entre dois mundo no mesmo lugar, usando as ideologias similares para usurpar a uma ideologia odiosa, intolerante e irracional à sociedade.

Apresentando um pouco os representantes da mesa, temos o autor de “Teocrasília“, do niteroiense, Denis Mello, que traz em suas obras universos distópicos do futuro, que lhe rendeu êxito de críticas e o prêmio HQMix – o Oscar dos quadrinhos brasileiro. Ainda na mesa, contou do cartunista e ilustrador, Rafael Campos, que já colaborou para revistas como Piauí, Caros Amigos e Cândido, além das publicações especializadas Graffiti, Samba e Bebeléu, Rafa ainda é autor de “Deus, essa gostosa (Quadrinhos na Cia., 2012) e colaborador da Folha de S.Paulo e recebeu prêmios como Society for New Design (2012) e European Newspaper Award (2013). E para fechar a mesa, o editor, roteirista e produtor, Gabriel Wainer, que escreveu o roteiro do longa “O Doutrinador (2018), baseado na HQ homônima de Luciano Cunha, que recentemente também ganhou uma série no canal Space (2019) e também, editor do Universo Guará, editora que visa destacar heróis nacionais, trazendo os valores e artes genuinamente brasileira, produzidos por artistas regionais em uma experiência única e intrínseca.

Uma reunião de diferentes ideias, mas com um único propósito, abrir as mentes e focar na arte como meio do crescimento político e cultural entre a população, dando um panorama cizânia de temas controversos que serão de suma importância para o desenvolvimento cultural e social da nação, considerando as obras políticas, não apenas como subversão, mas sim como parte da essência característica da cultura, da arte, da história do povo, do país e do mundo.

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Adentrando neste campo do debate, partimos sobre falar da imparcialidade e quão os artistas são parte fundamental para o desenvolvimento cultural e social deste cenário, não havendo problema algum ter uma opinião formada sobre determinado tema ou subjeções, pelo contrário aos que pensam que não há de tomar partido têm de repensar suas convicções e comportamento, parafraseando a quadrinista Chairim Arrais, em uma postagem nas suas redes sociais, alegando que estamos plenamente inseridos ambiente político desde que abrimos os olhos. Como comentou a pesquisadora e mediadora do painel citado acima, Dani Marino, sobre expôr seus pensamentos e posições mediante a um assunto específico.

Todos os nossos discursos e ações são providos de contexto, intencionalidade, porque não somos descolados do tempo e espaço onde estamos inseridos. Muitas pessoas optam por não externar seu posicionamento. Umas por medo, outras por questões profissionais. Mas quando a pessoa se diz isenta, ela tá atestando publicamente que tem um lado, o lado do opressor, só não quer comunicar isso“, afirmou Dani Marino.

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E completando esse raciocínio, o artista Allan Jeff, acredita que o descaso do passado, escancarou as portas para os problemas que hoje vivemos, entre censuras e posicionamentos legais mediante a opinião alheia, fazendo com que cada um se feche em sua bolha e apenas joguem indiretas, sem se colocar num ponto específico do assunto, gerando ainda mais discussão e se acomodando ao lado da maioria. Porém, Jeff conclui que “artistas que não se posicionam, são iguais aos artista que apoiam fascismo, racismo, nazismo, AI-5 e etc. Artista que se omite, não faz ARTE“.

A arte é a forma mais singular em se expressar e mostrar ao público uma posição própria, fazendo-o escolher seguir ou não tal posição, abrindo as mentes e desenvolvendo o debate de maneira ampla, significativa e inteligente, sem ataques gratuitos contra determinados grupos e agregando à todos em um contexto racional e lógico.

Por Patrícia Visconti

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