Benício – O mestre dos pin-ups brasileiros se despede, deixando seu legado autêntico e necessário para a cena artística nacional

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Faleceu nesta terça-feira (7), o ilustrador brasileiro, José Luiz Benício da Fonseca, ou simplesmente, Benício, como ficou conhecido nas artes editoriais nacionais. O anúncio da morte do artista, foi deixado por seus familiares nas redes sociais, lembrando dos momentos e de seu legado, de amor e cumplicidade à todos ao seu redor.

Benício nasceu no munícipio de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, em 14 de Dezembro de 1936. Quando criança, tocava piano, que deixou de lado, para se dedicar ao desenho, carreira que seguiu por mais de cinco décadas, desenvolvendo milhares de capas de livretos, cartazes para o cinema nacional e diversas capas de disco. Além é claro, de anúncios publicitários e ilustrações de livros.

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O artista era conhecido como o mestre das pin-ups brasileira nas décadas de 1970 e 1980, destacando para o cartaz do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos e as capas das histórias de Giselle, a espiã nua que abalou Paris, sobre a heroína que usava da beleza e da sedução para espionar para os Aliados na Paris ocupada da II Guerra Mundial e de sua filha, Brigitte Montfort, a agente da CIA conhecida como Baby.

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Sua saga dentro dos cartazes e produções para o cinema nacional, durou até a década de 1990, quando o então ex-presidente Collor, fechou a Embrafilme e paralisou a produção cinematográfica no Brasil, alegando falta de financiamento. Desde então, Benício continuou a criar para a publicidade, produzindo a ilustração do rótulo da Catuaba Selvagem, se inspirando no personagem Conan o Bárbaro para cria-lo.

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Nos anos 2000, ele deixou os pincéis de lado, e passou a usar o computador, tornando seus trabalhos mais baratos, porém, a indústria cinematográfica, já não o requisitava tanto assim, porém, seu legado e origem precisa e significativa inspirou uma geração que veio a seguir, reunindo suas produções em álbuns e artbooks memoráveis, como o da editora Reference Press publicou o artbook “Sex & Crime: The Book Cover Art of Benicio” (2011), e no ano seguinte (2012), a editora Opera Graphica, lançou “E Benício criou a mulher“, criado pelo jornalista Gonçalo Junior, em uma versão da revista e ampliada do livro “Benício – Um perfil do mestre das pin-ups e dos cartazes de cinema” (2006).

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Em 2014, a editora Reference Press publicou o segundo volume de “Sex & Crime: The Book Cover Art of Benicio“, através do financiamento coletivo, e no início de 2021, o artista foi convidado pela Funarte a participar da série “Memória Funarte“, dedicada a registrar as memórias de personagens com importância na arte do Brasil.

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Benício já estava afastado do trabalho há algum tempo, depois que sofreu o primeiro AVC em 2014, mas ele sempre criava e produzia de sua casa, algumas artes conceituais para agências e editoriais.

por Patrícia Visconti

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