‘FLEE – Nenhum Para Chamar de Lar’ traz com precisão e delicadeza a angustiante rotina de um refugiado que apenas quer paz e um lar

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Amin Nawabi não tinham nem dez anos e já sentiu o peso de ser arrancado de seu povo e ter de virar um refugiado, e ser desprezado e humilhado para tentar reencontrar seu lar e paz em sua vida, que foi arrancada quando ele saiu as forças de Cabul, Afeganistão. Além disso, ele viu sua família ser separada, fazendo com que o jovem afegão carregasse a culpa e um trauma eminente diante as atrocidades causadas por uma guerra que mudou não apenas seu país, mas sua rotina e sua vida.

Assim que saiu do Afeganistão, Amin partiu para Rússia, que era a rota para seguir para a Europa ocidental, mas seus dias e de sua família no país russo não foram nada fáceis, pois sem documentos legais, o medo de ser extraditado e voltar para a guerra eram grandes, e eles não podiam arriscar, pois precisavam chegar na Suécia quanto antes, mesmo que fosse através de contrabandistas, que faziam o translado dos refugiados.

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Os dias eram monótonos e sempre iguais, ficavam trancafiados vendo novela mexicana, enquanto seu irmã mais velho, já instalado legalmente naquele país, juntava dinheiro para que eles pudessem atravessar para o Ocidente. Suas irmãs foram as primeiras, após uma conflituosa e desumana viagem, que quase a levou a morte. Enquanto Amin, sua mãe e seu outro irmão seguiam na mesma rotina de dor e angústia na Rússia.

Os três tentaram uma travessia via oceano, em uma tentativa frustrante e desesperadora, que fizeram retorna e serem enviados à Estônia, em uma situações degradante e desumana, que e imprensa do mundo todo os filmavam como se fossem animais em um zoológico, e nada era feito para melhorias de suas vidas e ingresso legalmente naquela sociedade.

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Quando finalmente conseguiram o dinheiro para embarcar para por fim a esse terror, que de princípio queriam levar sua mãe, mas ela estava muito doente, e não aguentaria sozinha durante o trajeto, e o montante só dava para uma punica pessoa ir, então optaram por Amin, que estava com medo e espantado, e não queria ir sozinha, mas não tinha escolha.

Entre contradições e desavenças, Amin sofreu intensamente as dores de ser um refugiado, e ainda por cima por ser gay, em uma sociedade que não enxerga pessoas assim com bons olhos, na verdade, nem os enxergam de maneira nenhuma, a não ser pela vergonha à suas famílias, e isso causou dentro dele um trauma ainda maior, que nem mesmo adulto conseguiu superar este “fardo” do que ele tinha que carregar.

As frustações era veemente para Amin, mas finalmente ele chegou na Europa ocidental, mas ao invés de ir à Suécia com sua família, como combinado, ele acabou indo para a Dinamarca, onde viveu seus dias escondendo seu passado e sua essência, pelo medo causado dos traumas ascendentes.

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Amin cresceu, estudou, se formou, trabalhou e seguiu sua vida, mas sempre carregando essa angústia que o assombra por todo sempre, sem poder se abrir verdadeiramente com ninguém, nem mesmo com seu futuro marido, que pretende se casar muito em breve e construir uma família com ele, mas que a insegurança de se apegar e consolidar devido ao aquebrantado de seu coração e decepções incitados ao longo de sua jornada, desde sua saída de Afeganistão.

Até que um velho amigo cineasta propôs para que ele contasse abertamente sua história em um documentário em formato de animação, aonde Amin poderia contar suas angustias que o sufocaram ao longo de sua vida. Mas, sem sensacionalizar, tratando sua história em plena delicadeza e precisão, descrevendo cada momento de tensão e dor, da qual ele viveu infligido por uma guerra civil horrenda e traumatizante.

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E essa história todo foi retratado na animação FLEE – Nenhum Para Chamar de Lar, de Jonas Poher Rasmussen, que reflete de maneira sutil, um drama eminente que muitos Amins passam e guardam consigo, por receio em se abrirem e terem de regressar para uma guerra que vai além da geopolítica, e sim e instala no coração das pessoas, ocasionando dor diante as vidas envoltas nesta jornada de superação e culpa, vividos pelos sacrifícios feitos pela sua família à ele.

por Patrícia Visconti

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