Emicida transforma lembranças em música e entrega álbum marcado por saudade e reverência

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Seis anos após o último lançamento, Emicida retorna com Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores e Mesmos Valores, um álbum que nasce de lembranças profundas, de relações afetivas e de uma saudade que atravessa cada faixa. O projeto presta homenagem direta aos Racionais MCs, especialmente ao disco Cores e Valores, de 2014, e reforça como a trajetória do grupo se entrelaça à formação do rapper.

Emicida destaca que, assim como Mano Brown afirma ter encontrado no Public Enemy um ponto de virada, foram os Racionais que salvaram sua vida. Essa é a base emocional que sustenta o novo álbum e que dá ao trabalho o peso de um agradecimento tardio, porém completo. A obra convida o público a revisitar as memórias do rapper ao mesmo tempo que relembra outras histórias que marcaram gerações.

Com dez faixas, o disco evidencia a capacidade do artista de transformar recordações em narrativa musical. A direção artística, musical e geral fica sob a responsabilidade do próprio Emicida, com produção adicional de Damien Seth e Fejuca. O resultado é um conjunto de músicas que foge da repetição de traumas e propõe uma nova forma de olhar o passado, construindo um caminho estético mais leve, sensível e emocional.

A presença da família imprime ainda mais força ao projeto. O álbum reúne vozes de diferentes gerações, incluindo a participação de Dona Jacira, mãe do artista, que morreu em julho deste ano, e de suas filhas, Estela e Teresa. Esse encontro de memórias cria uma atmosfera que reforça a ideia de continuidade e pertencimento, elementos que marcaram toda a carreira de Emicida.

O disco também retoma histórias antigas do rap nacional. Rashid e Projota participam do projeto e reacendem 2007, quando os três acompanhavam apresentações dos Racionais MCs na Praça da Sé, lembrança recontada na faixa A Mema Praça. O álbum, ao dialogar com essa época, amplia o sentimento de saudade e exalta a força do rap como instrumento de ligação entre gerações.

O lançamento chega acompanhado do clipe de Quanto vale o show memo?, dirigido por Pedro Conti e Diego Maia, que transforma o universo do álbum em animação e reforça o aspecto sensorial do projeto.

Com Mesmas Cores e Mesmos Valores, Emicida apresenta um trabalho que não apenas homenageia seus ídolos, mas também revela como a música se apoia na memória para se tornar arte. É um disco que carrega emoção, reconhece ausências, revisita histórias e mostra que o rap emociona, desperta saudade e preserva tudo o que a vida não consegue apagar.

por Vitor Feitoza

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