A diferença está além dos atributos físicos ou psicológicos de cada indivíduo, mas sim, em cada na singularidade pessoal de como nos queremos ser. Podendo assim, tornar uma pessoa única e característica, para ser autêntica e profunda, em mundo de rótulos e regras, que apenas apontam dedos e julgam conceitos, aonde as minorias são excluídas e marginalizadas diante de uma sociedade mesquinha e egoísta, fazendo com que muitos escondam seu verdadeiro âmago de vida.
Mas, são nos pequenos detalhes que fazem com que a rejeição ofertada pelo mundo transforme a rotina e as realizações mais eloquentes e significativas. Assim como a protagonista do novo romance da autora e advogada Marcia Marques, ‘O Som que Mora em Mim’, que traz em sua narrativa uma obra singular e original. Trazendo como inspiração a trama principal alguém muito próxima a ela, sua esposa, que sempre buscou meios para se encontrar e sobreviver diante a violência silenciosa da repulsa social, encontrando na arte e na escrita, uma forma para ser validada como ela é.
Assim, o romance desenvolve, mostrando a história de uma mulher que é bailarina, autista e lésbica, e descobre ao lado de sua parceira, que amar também um ato de resistência. Percebendo maneiras relevantes de expressar os sentimentos mais intrínsecos, entre memórias pungentes, laços familiares complexos e a busca incessante de afeto e acolhimento, mostrando sua coragem em persistir na sua existência, sem abaixar a cabeça e respeitando as próprias decisões.
Uma obra comovente sobre amor e respeito, expressado de um jeito sutil e preciso, trazendo relevância a todos aqueles que se sentem invisíveis, incompreendidos e excluídos, demonstrando força e determinação em seguir sua jornada em um mundo enigmático e inquietante, que prefere apontar dedos ao não acolher com veracidade. Descrito com perspicácia harmônica, modulada para formar reflexão e empatia anacusia mundana. Conectando literatura e música em uma sintonia única e imensurável.
por Patrícia Visconti

