Após passar por adiamento e venda, o filme Coyote Vs. Acme chega aos cinemas nesta quinta-feira (27). Com ótimas atuações de John Cena (Buddy Crane), Will Forte (Kevin Avery) e Lana Condor (Paige Avery), a história se revela extremamente criativa, divertida e profunda, mesmo envolvendo um tema complexo como ação judicial.
No longa, o personagem Coyote dos Looney Tunes ganha protagonismo e não perde sua essência original das animações. Sua caçada por Papa-Léguas continua, porém, depois de muitos fracassos, o protagonista decide processar a empresa que fabrica os produtos que ele usa em suas armadilhas, a Acme. A forma como esse processo judicial ocorre na obra é consistente, fácil de se entender e divertida, por conta das piadas no estilo clássico dos Looney Tunes e as interações bem feitas dos personagens entre si.
A combinação de live-action e animação é uma marca dos filmes desses personagens clássicos. O 3D que simula o 2D é fluido e muito bonito em várias cenas, mas deixa um ar de inacabado em certos quadros, o que contrasta demais com o cenário realista, tirando um pouco a imersão do longa. Mesmo assim, a adaptação dos Looney Tunes e a forma como eles estão colocados na produção chamam muito a atenção. Cada um dos personagens, como Pernalonga, Patolino e Gaguinho recebe um ótimo papel e espaço, mas o foco é a relação do Coyote e do Papa-Léguas, o ponto mais forte e de maior qualidade do longa.
Em desenhos antigos dos dois personagens, a ênfase sempre foi na perseguição deles e nada mais. Contudo, nesse filme, por conta do processo contra a Acme, tanto o Coyote quanto o Papa-Léguas são colocados em novas situações que fazem eles interagirem de formas diferentes com outros personagens e cenários usando sua maneira única de se comunicar – através de placas limitadas ou um “beep-beep”.
Um bom exemplo é que as interações do Coyote com o seu advogado, Kevin Avery, são boas de se acompanhar por serem leves e interessantes – porém, nada fora do imaginário popular, apenas diferente por envolver um personagem como o Coyote.
O filme é fiel à essência do Coyote e do Papa-Léguas, criativo em explorar novas possibilidades e corajoso em apontar uma profundidade na relação deles que não tinha sido apresentada antes. Esses fatos evidenciam a mensagem principal do filme sobre tentativa, desistência, fracasso e persistência. O que reforça toda a trajetória de décadas do Coyote perseguindo a sua caça e a mistura com as vivências e conflitos dos novos personagens.
Em um certo ponto, a história se aprofunda não só na relação dos dois protagonistas, como também em um mistério envolvendo os desenhos animados. Esse ponto da narrativa é extremamente criativo em suas misturas e em apresentar um conceito metalinguístico coerente e divertido.
Com um alto humor cartonesco, a história em si é simples e até previsível para quem já conhece estruturas narrativas e as piadas dos Looney Tunes, mas não deixa de ser um ótimo passatempo para o público geral e brilhante em questão de interação em cena, aprofundamento de personagem e criatividade na história metalinguística.
Coyote Vs. Acme já está disponível nos cinemas pelo Brasil.
por Milena Pierrot


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