Crítica: Janela Indiscreta

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Após quebrar a perna em um acidente, o fotógra⁸fo Jeff (James Stuart) se vê confinado dentro de seu apartamento. Devido ao tédio, Jeff começa a olhar pela janela e se entreter com a vida de seus vizinhos, mas a situação fica cada vez mais estranha quando ele começa a suspeitar que seu vizinho cometeu um assassinato.

O ambiente construído para o filme ( todo dentro de um estúdio) é excepcional, o design de produção exuberante garante total imersão naquele “pequeno mundo” que representa as grandes cidades. Juntamente com Jeff, nós expectadores, somos convidados a conhecer os dilemas desses vizinhos e de certa forma zelar por eles.

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Com o roteiro de John Michael Hayes ( baseado no conto It Had To Be Murder de Cornell Woolrich), o diretor Alfred Hitchcock consegue realizar, com sua reverenciada maestria, mais um grande suspense.

Além de tratar de temas relevantes, que mesmo depois de 66 anos da estréia do filme, continuam bem atuais, como a necessidade humana de provar que se está certo, pensar que possamos estar mal mas sempre lembrar que há alguém pior e até mesmo temas como o suicídio. É na personagem Stella (Thelma Ritter) a enfermeira que cuida de Jeff que temos as “alfinetadas” que traduzem o que público está pensando.

A namorada de Jeff, Lisa ( Grace Kelly) acaba por representar, mesmo depois de apresentada como socialite preocupada apenas com a moda, uma mulher decidida e convicta em ajudar Jeff a descobrir o que está acontecendo.

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Acompanhamos, juntos com Jeff, a vida de seus vizinhos, a dançarina e seus encontros casuais, o pianista e suas festas, o casal e seu cachorro, a moça solitária que sonha com um relacionamento e principalmente o suposto assassino que Jeff se vê cada vez mais convicto em provar o crime em que o homem cometeu, segundo suas suspeitas e pequenas provas.

Enquanto o longa progride, juntamente com a necessidade que o protagonista tem de provar suas convicções, nos vemos atrelados a um diálogo entre ele e Lisa, onde ela aponta o quanto eles estavam tão preocupados em provar que estavam certos e nem ao menos se preocuparam com a vida da suposta vítima assassinada.

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Janela Indiscreta, nos mostra o quanto nós podemos ser egoístas, em observar o que acontece com os outros, e quando fazemos alguma coisa, muito provávelmente acabamos fazendo por nós mesmos. É na convicção de Jeff que está de certa forma um pouco da natureza humana. O filme de 1954, acaba sendo um pequeno estudo de nós mesmos, quão longe esses personagens irão para provar o crime do vizinho? será que estão certos? houve mesmo o crime?

Garantindo desfechos para seus personagens, nada manequeístas, e com uma grande dose de suspense, marca do diretor, Alfred Hitchcock nos traz aqui mais um dos seus vários clássicos, utilizando de sons ambientes e de sua filmagem única.

Sendo possivelmente a sua obra prima e aquela responsável por traduzir o cinema de Hitchcock, o mestre do suspense. Janela Indiscreta, é uma obra sensorial, uma grande experiência cinematográfica.

Por Lucas Aaron

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