Liga da Justiça: Guerra de Apokolips termina encerra de forma perfeita saga das animações da DC

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Liga da Justiça: Guerra de Apokolips é a mais nova aposta da DC Comics nas animações. O longa, de Matt Peters e Christina Sotta, fecha o arco War, iniciado em 2013 com Liga da Justiça: Ponto de Ignição, e fecha muito bem.

Após anos lidando com a ameaça de Darkseid, os heróis da Liga da Justiça se junta para um derradeiro combate em Apokolips, mas quando o ataque falha e a Terra cai nas mãos do tirano, os sobreviventes tentam um último recurso para pôr fim aos planos do vilão, que conta com vários ases em suas mangas, em uma missão aparentemente impossível.

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Uma das grandes críticas da DC em seu universo cinematográfico é a falta de coesão. Tudo parece ser muito apressado, sem respeitar direito os personagens. O sucesso da Marvel, sua principal concorrente, parece ter dado um senso de urgência nos executivos da Warner que só prejudicaram os filmes. No universo das animações ocorre justamente o contrário.

Desde que que Ponto de Ignição foi lançado, há 7 anos, era nítido a construção de um grande arco, mas não havia pressa. Nos lançamentos seguintes o objetivo maior era contar sua própria história, deixando as amarrações para uma apoteose final em segundo plano (bem parecido com o universo Marvel/Disney, oronicamente). Cada personagem ou grupo, era respeitado em suas próprias características. Não havia um Superman sombrio (um abraço pro Zack Snyder) nem um Batman piadista. A Mulher Maravilha era o que sempre foi, uma guerreira e os Titãs eram adolescentes tentando aprender a serem heróis. Mesmo assim, dava pra ver que aquele era um único universo. É quando chegamos a Guerra de Apokolips.

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O ponto chave desta nova animação é a esperança, ou para ser mais claro, a falta dela. Depois da derrota da liga, não parece haver mais nada o que ser feito. Houve realmente uma guerra, e Darkseid foi o vencedor. O filme retrata uma Terra devastada e prestes a ser destruída, e todo este clima pesado é um dos maiores trunfos da obra. A forma com que cada cena é construída, a violência explícita, o destino de cada herói, tudo é feito de forma com que não haja meios de vitória, e a única forma de alcança-la é arriscando tudo.

Outro ponto que realça o clima da animação são as mortes, e são várias. Aos heróis que caem não são dados últimas épicas palavras ou momentos finais triunfantes. Eles simplesmente são mortos. Não há um último ato heroico, até porque apenas o fato de continuarem lutando já é um ato heroico. A facilidade com que os maiores campeões da DC caem, e as cenas, absurdamente explícitas, marcam o clima de guerra.

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Quanto aos personagens, o maior destaque, e também o que recebe maior tempo de tela, é John Constantine. A dublagem de Matt Ryan, que dá vida ao personagem em Legends of Tomorrow, é perfeita e realça tanto o aspecto trágico quanto debochado do herói. Outros destaques são o Batman, que como vilão parece em seu melhor, e o Robin Damian Wayne, bem mais maduro que nas últimas animações. Se há algum destaque negativo, seria o Superman, que é um tanto quanto sem sal, e mesmo seu arco sendo interessante, com ele vulnerável e pouco além de um humano comum, permanece com a mesma personalidade de sempre, mas isso, além de poder ser uma mera implicância minha, não prejudica em nada.

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Há apenas dois pontos que realmente me incomodaram. Durante a luta final, há um claro deus ex machina. Para quem não sabe, esse é um termo que indica uma decisão miraculosa que simplesmente acontece, sem muita explicação. Eles até tentam dar uma enganada com um papo sobre destino ou os poderes de uma certa personagem, mas francamente não colou. O segundo ponto é a cena final. É bonita, parece até ser uma resolução legal para o arco, mas não tira o pensamento de “ih, lá vem outro reboot” da cabeça. A impressão é que não importa o quão errado deram as coisas, enquanto um determinado personagem estiver vivo, é possível
resolver tudo começando tudo de novo. Ainda assim a sensação de ciclo, com as coisas terminando como começaram, consegue disfarçar bem o problema.

Mesmo com alguns problemas, uns mais outros menos graves, Liga da Justiça: Guerra de Apokolips é a melhor animação dos últimos anos da DC Comics e um bom indicativo de como fazer as coisas em live action.

Nota: 4,5

Por Rafael de Paula

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