‘Mulheres que matam’: Um drama voraz envolto de um suspense visceral

feminicdio

As mulheres enfrentam dificuldades distintas em uma sociedade controlada por homens irredutíveis e condescendes, em uma comunidade intrincada pela violência e a fome, comandada por um Alto Comando que define o tremendo caos e angústia que faz com que a população marginalizada – no caso as mulheres. Que se unem em um “Clube do Livro”, que remenda mais do que leituras aleatórias, mas visam buscar soluções hesitantes, diante de uma agressão cruel que assola um país.

mujeres-que-matan

O romance do professor e autor venezuelano Alberto Barrera Tyszka, Mulheres que matam, é um choque de realidade diante das brutalidades envolto da mente feminina. Em uma sociedade machista, misógina e despótica, aonde o livro já começa com o brutal assassinato de Magaly Jiménez, que estava nua na banheira de um hotel, e apenas alguns bilhetes endereçados ao seu único filho, Sebástian.

O filho, que está fora do país, regressa apenas para o funeral da mãe. Mas, ao conhecer a jornalista Elisa, que já vem investigando casos aleatórios (ou não) de suicídios de mulheres, acabam adentrando num emaranhado de situações conflituosas e eminentes, que vai desvendar os segredos mais viscerais, em um ambiente de hostilidade e insegurança.

D-NQ-NP-839022-MLB54482187547-032023-O

Uma obra intensa e obscura, sobre a relação de mulheres comuns, mas com um passado implacável, que passaram por perdas, lutos e solidão, e juntas tentam apaziguar e dar suporte uma a outra, entre os relacionamentos difusos que encontraram ao longo de suas vidas.

Em uma sensibilidade singular, Mulheres que matam, usa a força instintiva para compreender o universo feminino. Com seus trejeitos mais íntimos e desejos indizíveis, a obra envolve o leitor em um ritmo frenético de um suspense profundo e analítico, de uma sociedade voraz e atroz, que inquieta quem mais é deixada em segundo plano, as mulheres, já que a complacência masculina se acovarda pela sagacidade mulheril.

por Patrícia Visconti

Deixe um comentário